Gosto de rock melancólico, mais balada, mais delicadeza, mais emoção na voz. Por essa razão, gosto de muita coisa de Radiohead, Snow Patrol, Coldplay, Keane, Sigur Rós. Com a audição de "The invisible band", do Travis, chego não só à conclusão de que posso incluí-los nesse rol, como também à de que são eles que condensam de forma mais competente as características que citei acima. Diria até que o que mais gosto no Coldplay e no Keane, que são as baladas mais melódicas com vocal mais sentido, é tudo aquilo que me lembra Travis. E arrisco dizer que a grande influência desses dois é o Travis mesmo, o que dá para perceber até mesmo pelos títulos das canções e pelas expressões utilizadas nas letras.
O álbum em questão, excelente coleção de canções, não tem ressalvas. Ele cativa, flui deliciosamente pelo ouvido. O espírito da obra, creio, poderia ser resumido em duas chaves: "menos é mais" e "o que está dentro de mim merece ser oferecido". Em relação ao "menos é mais", a vivência interior trazida pelas letras corresponde a um cerceamento de expansões melódicas. São poucas as guitarras pesadas, os detalhes dos arranjos podem ser ouvidos com nitidez, e nada aparece mais que a voz de Fran Healy, que, por sua vez, não faz questão de aparecer, dando maior espaço à mensagem da qual é cúmplice. Sobre "o que está dentro de mim merece ser oferecido", essa é a lógica que sustenta a unidade do trabalho, sempre falando de estados emocionais, amor, reflexões sobre a vida, pessoas queridas, momentos únicos e a urgência de aproveitar o tempo (esta última, para mim, mensagem comum à maior parte das faixas).
Três canções desse álbum estão entre minhas favoritas de sempre, todas iniciadas com a letra "S": "Sing", "Safe" e "Side". Esta última tem uma letra muito bacana, que eu não tinha sacado até ler a tradução, por ocasião desta resenha. Além dessas, destaco as quatro últimas da ordem de audição original, que se desprendem um pouco mais da proposta mais pop e convencional (e nem por isso banal ou pouco inspirada) das anteriores. Também destaco "Dear Diary", que tem algo de sombrio e delicado ao mesmo tempo.
Grande banda, grande trabalho, fonte (às vezes ironicamente invisível mesmo, para a maioria) de muito do que se faz hoje em dia no britpop.

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