Primeiro CD que comprei com meu primeiro salário de estagiário. Marcante em vários sentidos, continua lindo mais de vinte anos depois do lançamento (1994). Por muito tempo, foi minha referência de MPB pós-80. Considero que seja o trabalho menos saturado e mais equilibrado de Zélia, com baladas de amor, canções dançantes, flertes com o jazz, o soul, o reggae e o brega pop. Recomendo sem contraindicações.
Faixa por faixa:
Não vá ainda - Um dos fonogramas mais bonitos que conheço. Arranjo de bandolins, percussão leve na segunda metade da canção, letra sentida e sem rodeios. Intensa e crescente, canção que merecia mais sucesso do que teve, mesmo dentro do repertório de Zélia Duncan.
O meu lugar - Letra muito boa. Interpretação doce e emotiva.
Sentidos - Canção que parece jogar com a oposição contenção/explosão. A letra remete à intensidade, mas o arranjo segura a explosão até o final. O trabalho de bateria é o grande responsável pela força dessa faixa.
Nos lençóis desse reggae - Melhor das canções dançantes do álbum. Não tem uma letra tão sensível, mas o ritmo gostoso compensa com sobras.
Catedral - Arranjo etéreo e sensível para uma interpretação arrebatadora. Mega hit do álbum.
Improvável - Canção mais dançante, com vocal um pouco mais soul, e temática associada ao prazer erótico. Boa letra, levada bacana.
Lá vou eu - Adoro essa música. Letra fantástica da Rita Lee. Balada gostosa, com a cara da noite de São Paulo. Ideal para apresentações em bares.
Miopia - Outra letra sensacional, descrição de um momento mais sutil, próximo do banal, mas poeticamente recuperado. Solo fantástico de guitarra. Arranjo que valoriza a pouca intensidade do vocal doce.
Tempestade - Canção francamente dançante, com parte falada e vocal. É a que menos chama minha atenção no álbum. E ainda assim é boa.
Um jeito assim - Canção mais jazzística e malandra, sensual, com bela levada de violão e intepretação precisa e sensível. Lembra standards do jazz.
Am I blue for you? - Gosto da pulsação. Não deve nada às interpretações das canções pop americanas mais cultuadas por aqui. Bela versão de Zélia.
Eu nunca estava lá - Peça mais reflexiva, tratando das dores de amor, violão e voz. Belo arranjo. Mantém a suspensão de intenção durante todo o fonograma. Finaliza o álbum com a suspensão, deixando um gosto de incompletude a ser sanada no próximo trabalho.


