segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Division Bell
Em 1994, o Pink Floyd lançou um disco que estreou completamente desacreditado por parte dos fãs da banda. Sem Roger Waters e sem a pegada progressiva da década de 1970, a maioria dos floydmaníacos acreditava que The Division Bell fosse apenas uma tentativa de Gilmour de lucrar sobre a marca da qual detinha direitos.
Eu fui surpreendido com esse lançamento. Não esperava que o Pink Floyd produzisse mais nada. O que eles tinham feito já estava bom. Na verdade, o impacto de um disco depende em grande parte da expectativa que você deposita nele. Como eu nem sabia que ele pudesse existir...
Meu primeiro contato com o Division Bell foi por meio da música "Take it back", que tocou durante uns tempos nas FMs. Gostei muito da cama melódica e da voz (a voz do Gilmour é muito boa). Isso sem saber que se tratava de Pink Floyd.
Quando descobri que era um lançamento da minha banda preferida, tratei logo de dar um jeito de ouvir todas as músicas. Ouvi uma primeira vez, e senti falta da pegada, da experimentação. Deixei um pouco de lado.
Um ou dois anos mais tarde, ganhei o CD num amigo secreto. Ele ficou entre meus poucos pertences pessoais por um ano (eu era professor eventual, e passava mais tempo desempregado que empregado. As coisas não eram fáceis...). Comecei a ouvi-lo devagar, estendido na cama, sozinho, pensando na vida. Ouvia algumas faixas. Depois, fui ficando com preguiça de pular faixas, e ouvia ele inteiro. Fui acostumando com a sequência. Fui entendendo o clima.
Fui assimilando a sonoridade calma, doce, leve, e bela.
Demorou algum tempo, mas Division Bell acabou se tornando um dos meus CDs preferidos. Quando o ouço, não o comparo mais a trabalhos do Pink Floyd. Realmente, ele fica em dívida em relação às outras coisas do grupo. É como se fosse o trabalho de uma outra banda, com algumas semelhanças com o antigo Pink Floyd. É assim que sinto.
E sentindo dessa forma, sou obrigado a admitir que é um dos trabalhos mais bonitos que conheço. Não digo vibrantes, não digo geniais, não digo intensos. Digo bonitos. Melodias bonitas, solos bonitos de guitarra, voz bonita do Gilmour. Tudo soa bem, é agradável, é convidativo. Música para fechar os olhos e se deixar levar. E esquecer que se está ouvvindo Pink Floyd. Isso não importa.
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