domingo, 26 de fevereiro de 2017

The invisible band, de Travis





Gosto de rock melancólico, mais balada, mais delicadeza, mais emoção na voz. Por essa razão, gosto de muita coisa de Radiohead, Snow Patrol, Coldplay, Keane, Sigur Rós. Com a audição de "The invisible band", do Travis, chego não só à conclusão de que posso incluí-los nesse rol, como também à de que são eles que condensam de forma mais competente as características que citei acima. Diria até que o que mais gosto no Coldplay e no Keane, que são as baladas mais melódicas com vocal mais sentido, é tudo aquilo que me lembra Travis. E arrisco dizer que a grande influência desses dois é o Travis mesmo, o que dá para perceber até mesmo pelos títulos das canções e pelas expressões utilizadas nas letras.
O álbum em questão, excelente coleção de canções, não tem ressalvas. Ele cativa, flui deliciosamente pelo ouvido. O espírito da obra, creio, poderia ser resumido em duas chaves: "menos é mais" e "o que está dentro de mim merece ser oferecido". Em relação ao "menos é mais", a vivência interior trazida pelas letras corresponde a um cerceamento de expansões melódicas. São poucas as guitarras pesadas, os detalhes dos arranjos podem ser ouvidos com nitidez, e nada aparece mais que a voz de Fran Healy, que, por sua vez, não faz questão de aparecer, dando maior espaço à mensagem da qual é cúmplice. Sobre "o que está dentro de mim merece ser oferecido", essa é a lógica que sustenta a unidade do trabalho, sempre falando de estados emocionais, amor, reflexões sobre a vida, pessoas queridas, momentos únicos e a urgência de aproveitar o tempo (esta última, para mim, mensagem comum à maior parte das faixas).
Três canções desse álbum estão entre minhas favoritas de sempre, todas iniciadas com a letra "S": "Sing", "Safe" e "Side". Esta última tem uma letra muito bacana, que eu não tinha sacado até ler a tradução, por ocasião desta resenha. Além dessas, destaco as quatro últimas da ordem de audição original, que se desprendem um pouco mais da proposta mais pop e convencional (e nem por isso banal ou pouco inspirada) das anteriores. Também destaco "Dear Diary", que tem algo de sombrio e delicado ao mesmo tempo.
Grande banda, grande trabalho, fonte (às vezes ironicamente invisível mesmo, para a maioria) de muito do que se faz hoje em dia no britpop.