domingo, 19 de novembro de 2017

Picanha de Chernobill, na avenida Paulista, 12 de novembro de 2017

Algumas semanas antes, estava andando pela Paulista e encontrei um amigo, que considero da família, promovendo o show dessa banda. Eles estavam no intervalo, e infelizmente eu não podia ficar. Tinha alguns outros afazeres, mas fiquei curioso de conhecer o som daqueles meninos com cara de roqueiros maus que estavam preparando seus instrumentos.
No domingo, dia 12 de novembro, fui especificamente para vê-los, aproveitando o aviso de meu amigo no Facebook. Cheguei antes de começarem, e já havia público considerável à espera. 
Quando o som começou, identifiquei um proposição autêntica de rock, com algumas pitadas psicodélicas. Lembrei do Violeta de Outono, mas não creio que essa seja exatamente uma referência deles. No decorrer do show, vi rock e blues em diferentes ritmos, mas sempre prestigiando a guitarra e a força da interpretação. Lembrei das melhores coisas do Free, mas tinha bastante de anos 60 também. 
O fato é que o Picanha de Chernobill cativa com sua sonoridade vintage, porque soa atualizado pela excelência dos músicos que o compõem. Rock de verdade, com pegada, e bem tocado. A prova disso é a permanência do público até o fim do show e até depois do fim do show - sim, porque as ruas da Paulista já estavam abertas novamente para circulação de carros e o público ficou pelo menos mais 20 minutos pedindo mais e mais.
Depois da apresentação, os meninos tiveram a delicadeza e boa vontade de autografar os dois CDs que comprei. Isso também conta para eu ter gostado.
Eles vivem desse giro pelas praças e ruas de São Paulo. São muito queridos, pelo que vi. Passam o chapéu pedindo contribuições, e vendem seus CDs nas banquinhas ao lado do espaço de apresentação, ajudados por amigos e colaboradores.
Parece que eles estão agora na Europa. Merecem sucesso por lá também. Boa sorte!

quinta-feira, 2 de novembro de 2017

The Joshua Tree Tour, estádio do Morumbi, 22 de outubro de 2017 - U2



Coroando os 30 anos do álbum, o U2 apresentou nesse fantástico show todas as músicas do "Joshua Tree" e mais alguns outros clássicos da banda. Fiquei na pista, mais ou menos no meio, longe do palco. O que mais gostei no show:
1) Abertura de Noel Gallagher, mostrando a energia, qualidade e vitalidade de suas gemas. Definitivamente, um grande compositor de rock. Boa banda, pegada de espetáculo, menos solos e mais pulsação, e espaço para que as canções brilhassem por si. Mais que um simples aperitivo.
2) O set do show colocou quatro clássicos na entrada antes do "Joshua Tree", e uma coleção de hits pós-Acthung Baby depois do "Joshua Tree". De certa forma, essa escolha valorizou as fases da banda, com um primeiro momento mais "rock" e um segundo momento mais "pop de rádio". O "Joshua Tree", com certeza, está mais próximo do primeiro momento.
3) O projeto gráfico do show valorizou sobremaneira a beleza das canções do álbum homenageado. O uso da projeção funcionou como narrativa paralela ao discurso musical. Foram selecionadas imagens belíssimas e de muito impacto. Poucas vezes vi uma estrutura de show tão bem pensada.
4) Embora meu inglês e meu espanhol sejam fraquíssimos, foi possível me divertir com os trechos literários e poéticos que rodavam no telão antes dos shows do Noel e do U2. Se eu tivesse mais condição de leitura nessas línguas, por certo teria aproveitado mais.
5) O U2 sempre foi bom de palco, e vê-los em ação só poderia ser gratificante mesmo. Quando estão lá em cima, os caras têm personalidade, sabem o que querem entregar e conseguem ótima interação com a plateia. 
Um dos melhores shows que já vi. Veria novamente, sem dó.