Realce: alegre, para cima, bonita, excelente arranjo. Uma lição para a música popular brasileira atual. Celebração sim, mas com qualidade de letra, música, arranjo e interpretação.
Sarará Miolo: Brincadeira de Gil com os fenótipos negros e brancos, bem bolada e divertida. Mostra um compositor à vontade para produzir beleza mesmo com temas tabu.
Superhomem, a canção: Obra-prima de sensibilidade de Gil, um tapa de luva de pelica no machismo da sociedade. Canção primorosa.
Tradição: Menos badalada, essa é uma excelente canção sobre o dia-a-dia e as relações entre as pessoas.
Marina: Para mim, uma versão que infantiliza e tira o peso da letra de Caymmi. Fica mais festeira do que doce.
Toda menina baiana: Excelente canção de celebração, que não perde o viés crítico da história brasileira mesmo dentro do contexto de homenagem. Ritmo vibrante e contagiante.
Logunede: canção mais experimental, com referências às religões afro, muito elaborada, e talvez por isso menos notada num disco tão up quanto esse.
Não chore mais: Uma das mais perfeitas versões de canção estrangeira já escritas. Gil traz a melancolia da letra de Marley para o contexto dos tristes anos pós-perseguição no Brasil. Interpretação belíssima, só podia mesmo marcar época.
Tinha esquecido desta: Rebento: Música que mostra todo o talento do poeta Gil. Quem é que prende e arrebenta? Como lidar com o grito na garganta? Como dizer o que não pode ser dito? Brincando com concepções místicas, com a metalinguagem e com a própria condição de interdição da possibilidade da fala, o cancionista constrói outra peça inigualável.
Vale a pena revisitar com calma e lendo cada uma das letras. Um álbum que ajuda a explicar a magia do artista Gil.