domingo, 17 de dezembro de 2017

Sigur Rós, Popload Gig, Espaço das Americas, 29 de novembro de 2017



Poder ver o Sigur Rós ao vivo depois de 20 anos de espera é uma das sensações mais gratificantes para qualquer fã brasileiro. Acessar as músicas da banda via Spotify ou troca de arquivos é fácil, ver os clipes e as produções visuais na internet também. Porém, sempre tive muita dificuldade enquanto colecionador para adquirir os CDs e LPs de carreira da banda, nas versões especiais que circularam na página deles e nas lojas virtuais por aí. Como fã, isso me deixou um pouco frustrado, dado o carinho que tenho por todo o material que produzem. Até hoje aguardo alguma estabilização da moeda que me permita adquirir a música dos islandeses nos suportes devidos, pensados artisticamente como tudo o que fazem.
Feito o desabafo, revelo que, no dia 29 de novembro, após ouvir a quarta canção, eu já estava em prantos. A intensidade do show arrebata qualquer um. Música, luzes e concentração constituem um clima único, que não vi em nenhuma apresentação de banda que prestigiei (nem no U2, nem no Coldplay, nem em mais ninguém. Quem pode acompanhar o show, presenciou um espetáculo único, musicalmente formidável, que não pode ser repetido nem imitado por nenhuma outra banda que conheço simplesmente porque é singular em sua proposta.
A força da música do Sigur Rós está na liberdade com os timbres e as dinâmicas. Sim, quem conhece a banda sabe o quanto são sensíveis os arranjos e os vocais. Mas ao vivo tudo isso fica mais forte, tanto pelas possibilidades de volume, quanto pelas escolhas de foco e dispersão da iluminação sobre o palco.
A versão curta de "Festival" parece-me pensada para ser mais agressiva na parte final. "Saeglóplur" e "Glósóli", por usa vez, soam tão pops quanto nos álbuns. Pessoalmente, considero perfeitamente adequado o encerramento do show com "Poppalagid", que é a minha preferida de todos os trabalhos. Quando eles deixam o palco e o jogo de luzes acompanha a extensão das notas finais da música ainda por alguns minutos, vivenciamos um autêntico final apoteótico. 
Musicalmente, não conheço nada melhor no mundo pop. 
É minha banda preferida, e eu pude vê-la ao vivo. Ponto.

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